O Museu do Louvre é muito mais que a Monalisa

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Hoje nós vamos viajar até Paris e visitar o museu do Louvre.

E quando falo em visitar o Louvre, não digo ir lá, ver a Mona Lisa, tirar uma foto e voltar pra casa (ou pro hotel). Estou falando de visitar mesmo porque me dói o coração pensar que estamos falando do museu mais visitado do mundo (arrisco a dizer, o mais conhecido também) só para tirar a foto da Monalisa e voltar pra casa.

O Museu do Louvre pode ser intimidador. Este post está aqui para lhe ajudar!

Sim, tem muita gente que faz isso. Mas, apesar de a Monalisa ser obrigatória (e claro, vamos falar desse quadro aqui) o Louvre tem muito mais a oferecer. E se você vier comigo, vai aproveitar muito mais.

Ah, e mesmo que você não esteja planejando uma viagem física ao Museu do Louvre, em Paris, este post ainda pode ser bem interessante pra você. Afinal, você sabia que cerca de 75% da coleção do Louvre está disponível para ser vista – ou melhor, apreciada – online?

Links citados no Podcast

A grandiosidade do Louvre

O Louvre pode ser bem intimidador. Quer saber os números? Estamos falando de um museu de mais de 72 mil metros quadrados  e cerca de 13 quilômetros de galerias. São mais de 35 mil peças e se parássemos por 30 segundos em frente de cada uma delas para aprecia-las, levaríamos 200 dias.

Então, a primeira dica que eu posso lhe dar, casos esteja planejando visita-ló é:  modere suas expectativas. Aceite que você não verá tudo e fique em paz com isso.

A segunda dica? Se você tiver um pouco mais de tempo na cidade, eu diria para você dividir a sua visita em dois dias. Nós fizemos isso e, desde então recomendo todo mundo a fazer o mesmo.

É claro que não é o suficiente para ver tudo, mas lhe deixa mais tranquilo, sabe? Primeiro porque você pode passar menos horas por dia (vai por mim, pode ser bem cansativo ver tanta coisa num dia só) e segundo porque, se você esquecer algo importante que queria ver no primeiro dia, ainda tem o segundo para fazer isso.

História do Louvre

O prédio que abriga o Museu do Louvre, na verdade foi construído para ser um forte. Aliás foi usado como forte.

Em 1546 o rei Francisco I instala a corte francesa no prédio e já naquela época começa a colecionar obras de arte.

Em 1682, o rei Luís XIV muda a corte francesa para o Palácio de Versalhes (aliás, se você quiser também um podcast ou post sobre esse palácio incrível, fala pra mim lá no Twitter que eu preparo um episódio bem legal pra vcoê).

Bom, voltando… quando a corte se muda para Versalhes, o prédio continua a abrigar não só obras de arte como também artistas patrocinados pelo governo.

Em 1793 o Louvre passa oficialmente a ser um museu aberto ao público, com 537 pinturas em seu acervo. E daí só cresce. Durante a era Napoleônica recebeu muitos artefatos para sua coleção, a maioria trazidos por Napoleão das suas conquistas.

Após a queda do imperador, algumas obras foram devolvidas para seus países de origem, mas no fim das contas, o saldo ainda foi positivo para a França.

Desde então o museu foi ganhando mais e mais obras e reputação, é claro. Mas virou a grande estrela dos museus no mundo a partir dos anos 80, depois que o presidente francês da época, François Mitterand empreendeu um grande projeto de expansão, o maior da história do museu.

Esse projeto foi concluído em 1993 com o que podemos dizer o último grande marco da história do Louvre, a inauguração da pirâmide de vidro que fica no centro da quadra do museu e também é hoje a sua principal entrada.

Aliás, quer mais uma dica? Em vez de fazer a fila quilométrica na frente da pirâmide, procure a entrada pelo Carrousel du Louvre, uma shopping que fica no subsolo, ao lado do museu.

Sim, desse shopping, você encontra uma entrada secundária que, na maioria das vezes está aberta. Eu digo maioria das vezes porque já ouvi gente falar que a encontrou fechada, mas a gente teve sorte e a encontrou aberta. Não custa nada dar uma olhadinha antes de enfrentar a fila.

Quer mais dicas como esta? Fica até o final porque tem mais por vir.

A corrida pela Monalisa ao entrar

É inevitável. O Louvre é realmente intimidador (eu já falei isso?). E em vários sentidos: tamanho, quantidade de gente, beleza. Acho que se tenho que escolher uma palavra, eu diria opulência. Isso, o Louvre é opulento.

E se você para para pensar é uma concentração de sonhos. É o resultado de sonhos de monarcas, de artistas e, atualmente, de turistas. Eu mesma sonhei por muito tempo pisar nesse museu.

A sensação que temos quando finalmente realizamos qualquer sonho é de euforia e essa euforia nos traz uma certa ansiedade porque, afinal, estamos diante de quilômetros de corredores repletos de obras interessantes as serem admiradas.

A gente não sabe por onde começar, mas sabe que quer começar logo. Passa pela segurança o mais rápido que pode, pega o mapa e… se vê diante de três entradas para três alas diferentes:  Richelieu, Sully, and Denon; cada uma com exposições diferentes. É a primeira importante decisão a ser tomada, nessa que já deixou de ser uma simples visita a um museu e passou a ser uma experiência que levaremos para toda a vida.

Você logo percebe que no meio daquela confusão toda, existe um fluxo. É como se um grupo de pessoas soubesse exatamente onde quer ir. Então, cabe a você decidir: seguir os líderes ou buscar seu próprio caminho.

E talvez você já tenha entendido a situação: esse fluxo, que sério, parece um cardume de atum, é formado por aqueles que estão indo ávidos para verem ela, a estrela, a Marylin Monroe do Louvre: a Monalisa.

Para ajudá-los, há alguns cartazes nas paredes indicando o caminho até o famoso quadro de DaVinci. Quando fomos eram uns cartazes meio que improvisados, esses impressos mesmo numa impressora comum. Lembro de ficar pensando: mas gente, é a Monalisa, não dava para fazer umas placas mais chiquezinhas? Talvez eles as tenham substituído depois da minha visita.

Mas enfim, seguindo os cartazes ou seguindo a horda de pessoas, você chega na Monalisa.

Comecei falando que não devemos nos contentar apenas com a Monalisa quando visitamos o Louvre. Então eu vou lhe dar um conselho que você pode estranhar: siga a multidão, vá direto à Monalisa.

Falo isso porque, primeiro, quanto mais tarde vai ficando, mais cheio vai ficando o museu e mais gente vai se aglomerando em frente ao quadro que… hum… spoiler aqui: é pequeno, viu?

Segundo porque assim você já tira esse que pode ser um peso nas costas. Eu não sei se tem alguém que vai ao Louvre e simplesmente ignora a Monalisa, mas acho que a maioria concordaria comigo de que você TEM SIM que admirar esse quadro por alguns minutos. Então não corra o risco de ficar sem vê-lo.

E por falar na Monalisa, afinal, por que ela é tão importante?

A importância da Monalisa para a Arte

Em 1999, estreou na HBO a série chamada The Sopranos – que imagino que você já, pelo menos, ouviu falar. A série, que tinha como protagonista um chefão da máfia lidando com a sua saúde mental, quebrou paradigmas na TV que possibilitaram a existência de outros programas de sucesso mais tarde, como Lost e Breaking Bad, só para citar alguns.

Só a ideia de um personagem principal que enfrentava problemas com sua saúde mental já era bem avançado para 1999. Mas The Sopranos foi muito além disso, trazendo ao público da TV – acostumado a um entretenimento mais leve – personagens complexos, temas polêmicos e uma estética de cinema extremamente cara para a época.

Se você assiste The Sopranos hoje talvez tenha dificuldade de enxergar sua grandiosidade porque, como falei, a série abriu espaço para muitas outras que popularizaram características que foram consideradas inovadoras em 1999.

E sim, eu sei que você está se perguntando “por que raios ela tá falando de Sopranos?” Porque acredito que The Sopranos é um bom exemplo ainda muito recente do que representou Monalisa para a arte.

Pintado entre 1503 e 1519 (aproximadamente) pelo gênio Leonardo DaVinci, a Monalisa é, sem sombra de dúvidas, a obra de arte mais famosa do mundo. E, se bem, há fatores secundários – digamos não artísticos – que contribuíram para sua fama (vamos falar disso ainda neste episódio), é inegável que esse quadro trouxe inovações para a arte.

Se falamos em técnicas de pintura, com a Monalisa, DaVinci apresentou ao mundo algumas que logo inspiraram outros pintores e, por isso, podem ser consideras comuns hoje em dia.

Podemos citar como exemplo o esfumado. Parece tão banal, né? Mas no século XVI ninguém ainda o tinha feito. E foi o esfumado que permitiu DaVinci retratar a pele da Monalisa com perfeição, um efeito que fascinou a todos naquela época.

Outra característica que parece tão simples para nós hoje em dia – especialmente porque nossos olhos estão acostumados à Fotografia – é a perspectiva que DaVinci pintou no quadro. O fundo aparece desfocado, dando maior destaque ao rosto.

Esse detalhe – se podemos chamar de detalhe – não só influenciou a pintura como a Fotografia de Retratos como conhecemos hoje, em que o fotógrafo direciona a atenção para o rosto desfocando o fundo. Ou seja, DaVinci desenvolveu uma linguagem de fotografia de retratos mais de 300 anos antes da invenção da Fotografia.


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E você acha que tudo isso foi por acaso? Que ele teve sorte de pensar em algo diferente ou nasceu com um dom extraordinário. Bem, talvez DaVinci tenha mesmo nascido com um dom extraordinário, mas é inegável que ele se dedicou muito aos estudos.

Ele era apaixonado não só por Arte, mas também por Filosofia e Anatomia Humana, sendo essa última essencial para transformá-lo em um dos maiores artistas de todos os tempos. Como assim?

Foi passando horas estudando cadáveres e, principalmente como funcionavam seus músculos que DaVinci foi capaz de entender com perfeição como pintar a forma humana e – mais além ainda – suas expressões corporais e faciais.

Se não fosse sua dedicação, 500 anos depois não estaríamos falando do sorriso enigmático da Monalisa. Que aliás, desconserta pessoas desde as primeiras exibições do quadro.

Ao entender como os músculos da face e a retina funcionavam, ele conseguiu – a partir de um truque de ótica, digamos assim – pintar uma expressão facial que parece estar ora sorrindo, ora séria.

Bom, estes são apenas alguns pontos de o porquê a Monalisa é realmente uma obra prima. Acho que dava para produzir não só um episódio como uma temporada inteira de podcast só sobre esse quadro.

Então, eu recomendo muito a você procurar mais informações sobre a Monalisa. Há muito material disponível, inclusive escritos por críticos de arte que podem explicar muito melhor do que eu, por que este quadro é tão fascinante.

Mas… ainda que seja inegavelmente uma obra prima, há questionamentos no mundo das artes se a Monalisa deve ser considerada a maior obra de todos os tempos.

Consenso mesmo é de que é a obra mais famosa do mundo. E isso não se deve à sua grandiosidade em si, e sim a um fato curioso.

Como a Monalisa alcançou sua fama

Bom, a história completa da Monalisa, desde 1519, é extensa e fascinante. O quadro já pertenceu a monarcas – e inclusive decorou o quarto de Napoleão Bonaparte por um tempo – e foi uma das primeiras obras do Louvre. Mas não era a mais importante até um evento em 1911 que mudou a forma como o mundo olha para o quadro.

Vicenzo Peruggia, um carpiteiro italiano que trabalhava no Louvre, resolveu roubar a Monalisa e devolvê-la à Itália. E não foi um plano super elaborado nem nada. Ele simplesmente colocou o quadro em baixo do braço e foi embora.

Dizem até que demorou mais de um dia para perceberem que estava falando um quadro.

Só que quando descobriram, a notícia se espalhou como fogo em palha seca. Vários jornais noticiaram o fato, o que acabou deixando as pessoas curiosas sobre o tal quadro Monalisa.


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Sim, o “tal quadro” porque vale lembrar que naquela época, não era como hoje que temos imagens em alta resolução na internet ou livros com a Monalisa em toda esquina. As pessoas ficaram muito curiosas para saber mais sobre o quadro já que o único que podiam ver era uma foto impressa no jornal. E nessa foto, obviamente, não se podia ver quase nada.

A estória ficou tão popular que as pessoas iam ao Louvre só para ver o prego na parede onde deveria estar a tal obra que foi roubada.

Detalhe extremamente curioso: uma das teorias da época era a de que Picasso – sim, o famoso pintor espanhol – estava envolvido no desaparecimento da Monalisa. Ele, inclusive chegou a ser investigado pelo crime.

Enfim, 2 anos mais tarde, a Monalisa foi recuperada e a fama já estava feita. Mais e mais pessoas começaram a ir ao Louvre para ver o quadro que tinha sido roubado e virou uma bola de neve.

Vale a pena ver a Monalisa?

E se bem eu já falei que se você for ao Louvre você PRECISA ver a Monalisa (isso é indiscutível), eu diria – e agora é a minha opinião aqui, tá? – que a Monalisa é uma daquelas obras que talvez, quem sabe… você vendo uma reprodução seja no computador ou impressa, você poderá desfrutar da obra, sem a necessidade de realmente chegar perto dela. (Acesse aqui a Monalisa pelo Louvre virtual.)

Antes de você me matar, vou me explicar.

Eu listei apenas algumas das características que fazem este quadro ser o que ele é e dá para você passar algumas horas analisando cada um desses detalhes. Talvez entrar na página do museu e ir analisando detalhe por detalhe seja mais rico do que ver a Monalisa pessoalmente.

Lembra do spoiler no início do episódio. Vou lhe falar, não importa o quanto lhe falem que o quadro é menor do que você pensa, quando você o vê na sua frente, parece ainda menor do que estava esperando.

Além de medir apenas 77 x 53 cm, o quadro é protegido por um vidro à prova de balas e tem um cordão à sua frente que impede qualquer um de se aproximar dele.

Sem falar a multidão de pessoas que ficam na frente dele. É tanta gente, tanto pau de selfie, tanta cotovelada… eu vou ser sincera, dificilmente será a melhor experiência da sua vida.

Então, vai lá, enfrenta a multidão, tira sua foto com a Monalisa para o Instagram e vaza. Vá aproveitar o Louvre!

Mas enfim, depois que você viu a Monalisa, não deixe de explorar outras obras incríveis que o Louvre tem para lhe oferecer. E quando seu pé doer de tanto andar, é só lembrar que você pagou a entrada em euros, tenho certeza que você vai esquecer da dor e querer aproveitar até o último centavo.

A verdade sobre a Vênus de Milo

E se você achou a história da Monalisa incrível, precisa ouvir a da Vênus de Milo.

Talvez você não esteja ligando o nome à pessoa, mas com certeza já a viu. Sabe aquela estátua de uma mulher bonita, semi-nua e sem braços? Ela é a Vênus de Milo.

Se a Monalisa ficou popular por seu roubo, a Vênus de Milo ficou por conta de uma polêmica.

Essa estátua foi encontra em 1820, em Milo na Grécia, por isso é chamada de Vênus de Milo e foi logo comprada pelos franceses.

Antes dela, já existia uma outra estátua de Vênus – deusa grega do amor – muito celebrada e conhecida como Vênus de Medici.

A Vênus de Medici é uma estátua de mármore datada do século 1 AC, mas que na verdade é considerada uma cópia de uma estátua de bronze do período clássico grego, (entre aproximadamente os séculos 5 e 4 AC).

A Vênus de Medici ficou exposta no Louvre por alguns anos, até que, depois da queda de Napoleão, a França teve que devolvê-la à Itália. 

O período clássico grego era visto na Europa como o apogeu da civilização humana, então toda obra que representasse aquele período era venerada pelos europeus. E tem mais: ter estátuas gregas clássicas era considerado um símbolo de status pelos países. E como Napoleão saqueava as áreas que ele conquistava, a França acumulou uma boa quantidade dessas obras.


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Só que com sua queda, a França teve que devolver a Vênus de Medici à Itália (e outras obras a outros países) e os franceses tomaram isso como uma humilhação imperdoável. Para você ter uma ideia de como eles ficaram doídos, para os padrões da época, seria como se o Brasil tivesse que ceder uma das suas Copas do Mundo à Argentina. Eles ficaram irados.

Então, imagina só, poucos anos depois dessa perda, ter a oportunidade de ter uma nova Vênus, supostamente do período clássico grego. A França fez uma festa.

Ela passou a ser exibida no Louvre, fizeram um grandioso marketing em cima dela, inclusive chegando a insinuar que ela era melhor que sua antecessora, a Vênus de Medici.

O plano deu tão certo que em 1964, mais de 100 mil pessoas foram a porto só para ver o contêiner dessa estátua chegando para uma exibição no Japão.

Tudo muito bom, muito legal, só que… tratava-se de uma fraude!

Parte da base da estátua sempre esteve quebrada, ou pelo menos ela sempre foi exibida assim. Só que mais tarde descobriram que os franceses espertamente se livraram dessa parte porque havia umas inscrições que indicavam que essa estátua, na verdade tinha sido esculpida no século 1 AC, o que a coloca no período helênico grego e não clássico.

Enfim, a obra Vênus de Milo continua sendo fantástica e ainda pode ser considerado um grande achado. Mas, para os padrões da época, não era o suficiente porque o que os franceses queriam mesmo era reparar o orgulho ferido.

Aliás, diga-se de passagem, atualmente contestam inclusive se ela é realmente uma representação de Vênus, a deusa do amor. Ela pode ser a representação de outra deusa grega.

Mas enfim, uma vez no Louvre, não deixe de visitá-la porque essa estátua de mais de 2 metros de altura – seja lá de qual período for – é linda e vai lhe impressionar.

A vida de influencer de Napoleão Bonaparte

E se você ficou decepcionado com o tamanho da Monalisa, inclua no seu itinerário uma visita ao quadro Coroação de Napoleão, que irá lhe impressionar com suas dimensões de 10 por 6 metros e 191 pessoas pintadas nele.

O quadro é um exemplo de pintura neo-clássica e retrata – como nome diz – a coroação de Napoleão e Josefina como imperador e imperatriz da França em 1804.

O pintor Jacques-Louis David era o pintor oficial de Napoleão e levou pouco mais de 2 anos para completar a obra.

Mas, à esta altura, você quer saber da parte da fofoca sobre o quadro, né? Então vamos lá!

Sabe aquela expressão que diz que “a História é escrita pelos vencedores”? Este quadro é um bom e gigantesco – em vários sentidos – exemplo dessa máxima, já que David, cumprindo as ordens do Imperador, deu uma pequena incrementada na cena.


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Entre essas “licenças artísticas” – por assim dizer – estão a presença da mãe de Napoleão que na vida real não viu o filho ser coroado, entre outros detalhes.

Dizem que a Josefina do quadro é muito mais bonita que a Josefina real. O pintor fez tipo um filtro de Instagram nela, entendeu? E as mesmas más línguas afirmam que Napoleão não era tão alto como retratado no quadro.

Mas sabe algo que o quadro é fiel? Napoleão convidou muita gente para a sua coração porque, claro, queria que o mundo soubesse dela e tivesse uma visão grandiosa da França.

Entre esses convidados, o mais ilustre era ninguém menos que o Papa, que supostamente iria colocar a coroa na cabeça de Napoleão. Só que no momento mais importante da cerimônia, Napoleão tomou a coroa da mão do Papa e se coroou por conta própria.

Mimado? Na verdade, mais que isso. Com essa atitude, ele queria mostrar ao mundo a superioridade da França, inclusive sobre a Igreja Católica.

Olho por olho, dente por dente

O Código de Hammurabi não é uma obra de arte, mas sim uma relíquia histórica importantíssima e por isso, na minha opinião, é uma visita obrigatória quando se vai ao Louvre.

Encontrado em 1901, no Irã, o código é uma pedra com 282 leis gravadas na sua superfície. Ele foi escrito aproximadamente entre em 1755 e 1750 AC – ou seja, há mais de 3700 anos – para concentrar o conjunto de leis proposto pelo Rei Hammurabi, um dos mais importantes da história da Babilônia.

Esse conjunto de leis – um dos mais antigos que se tem conhecimento – foi importantíssimo não só para organizar a sociedade da sua época como acabou influenciando os demais códigos. Ou seja, leis que conhecemos hoje, seja no Brasil ou em outras partes do mundo, foram influenciadas pelo Código de Hammurabi.

É claro que muita coisa mudou e muitas leis desse código podem até parecer absurdas se analisadas no mundo de hoje, mas as origens do nosso código penal estão ali.

A primeira lei, por exemplo, está presente até hoje em várias partes do mundo: é a premissa de que todo réu é inocente até que se prove o contrário.

Mas ainda assim, talvez a lei mais conhecida do código seja na verdade a combinação de duas delas. Uma diz que se um cidadão arranca o olho de outro, deve ter seu próprio olho arrancado e a outra que se um cidadão arranca o dente de outro, esse deve ter o seu dente arrancado. Na nossa sociedade, essas duas leis na verdade viraram uma expressão: olho por olho, dente por dente.

Ainda que pareça brutal, era uma visão super avançada pra época.

Sabe o que mais era super avançado até para os nossos padrões. O código permitia que uma mulher pedisse o divórcio caso se sentisse negligenciada pelo marido. Vale lembrar que no Brasil só foi aprovar a lei do Divórcio em 1977.

Outra lei que merece ser citada é a do salário mínimo. Sim, o rei Hammurabi estipulou que todo trabalhador deveria receber um valor mínimo que ele considerava digno pelo trabalho.

Mas ainda assim, as leis favoreciam os mais poderosos. Em alguns casos havia diferença da punição dependendo da posição social do acusado.

Os crimes tinham punições severas, que incluíam a pena de morte de várias formas. A pessoa considerada culpada podia, entre outras coisas, ser queimada, empalada ou jogada no rio para se afogar.


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Por falar nessa última sentença, tinha um detalhe curioso. A pessoa considerada culpada lançada ao rio recebia a pena de ser jogada ao rio, não necessariamente a pena de morte. Eles consideravam que era uma forma de deixar Deus decidir. Se a pessoa sobrevivesse era porque Deus a havia ajudado por ser inocente, e neste caso, quem a acusou deveria ser sentenciado à morte.

O famoso ato de “lavar as mãos”, só que quase 1800 anos antes de Pôncio Pilatos.

Há muito mais no Louvre

Bom, eu só falei de 4 obras que você precisa ver no Louvre porque, vamos combinar, que daria para fazer temporadas e temporadas de podcasts só falando sobre elas. Aliás, algumas poderiam ter o seu próprio podcast dedicado a elas.

A ideia era só exemplificar a grandiosidade desse museu. Algumas – mas não as únicas – outras obras que merecem menção honrosa neste episódio são: A Vitória de Samotrácia (escultura de Nike, deusa grega da Vitória), Virgem das Rochas (pintura de Leonardo DaVinci), As bodas de Caná (pintura de Paolo Veronese), Liberdade guiando o Povo (pintura de Eugène Delacroix), A jangada da Medusa (pintura de Théodore Gércault), O escravo agonizante (escultura de Michelangelo) e a Grande Esfinge de Tânis.

Mas depois de falar sobre pouquíssimas das milhares de obras interessantes que você encontra no Louvre, fiquei curiosa: você tem alguma preferia? Alguma que já visitou ou sonha visitar? Conta pra mim lá no Twitter!

Como aproveitar melhor o Louvre

E talvez, agora depois de tanta informação você deve estar se sentindo mais sobrecarregado do que antes do episódio. Talvez até mais ansioso e com medo de não aproveitar o Louvre.

Não se preocupe que eu não vou deixá-lo na mão. Eu também vou lhe sugerir estratégias para visitar o Louvre. Sim, estratégias, não consigo pensar em outra palavra pra isso.

E se você estiver pensando: “ah, quero relaxar, não quero pensar em estratégia”, bom, simplesmente ir e caminhar pelas galerias sem rumo, sendo surpreendido por obras que você não planejava ver, já é uma estratégia. E é muito boa por sinal.

Mas acho que maioria de nós não consegue encarar dessa forma, bem que eu gostaria de ser assim. Eu, por exemplo, em cada viagem que faço, não tenho certeza se vou um dia voltar àquele mesmo lugar. Então eu quero aproveitar ao máximo e voltar com a certeza de que não me escapou nada de importante.

Então vamos pensar em estratégias sim, ou – digamos – algumas dicas que você pode aproveitar ou não.

A primeira dica que eu dou é básica para qualquer atração turística: chegue o mais cedo que você puder. Sempre será melhor evitar multidões se você chegar antes da maioria e o Louvre não é exceção.

Sem falar que quanto mais cedo, mais tempo você tem para explorar o museu.

Agora vamos às minhas dicas mais específicas.

Apesar de ser gigantesco, o Louvre é muito bem organizado. E é dividido em 8 departamentos diferentes: 

  • Antiguidades do Oriente Próximo
  • Antiguidades egípcias
  • Artes decorativas
  • Arte grega, romana e etrusca
  • Arte islâmica
  • Esculturas
  • Gravuras e desenhos
  • Pinturas

Ao ouvir esta lista, você com certeza foi reagindo a cada um deles com mais ou menos entusiasmo, certo? Então priorize o que você gosta mais.

Antes de ir, pesquise o que você encontra em cada uma dessas áreas e decida as que você considera imperdíveis. Faça uma lista com sua ordem de preferência e, obviamente, comece de cima para baixo.

Se tiver obras de alas que você não pretende visitar, não tem problema, inclua-as no final da sua lista para visitá-la assim que você acabar de explorar as áreas que queira mais.

Para deixar essa estratégia ainda mais robusta, eu recomendaria a você baixar o mapa do museu e ver cada uma das áreas que quer visitar e já se familiarizar com o layout. Baixe o mapa e marque as obras mais importantes para você ter uma ideia do que irá ver no trajeto e assim, sabendo a ordem que deve encontrá-las, irá perceber se lhe escapou alguma.

Agora, se você não está muito certo do que prefere ver, não tem problema. O site do museu também oferece sugestões de visitas.

Esses guias são tipo um passo a passo do que fazer ao entrar no Louvre. Exemplo, “siga reto até a porta de vidro, vire à esquerda e irá encontrar tal obra” e assim seguindo as instruções para encontrar cada uma delas.

No momento em que estou gravando este podcast, tem um inclusive um caminho desses que é curado pela Beyoncé o o marido dela.

E por falar em recursos do próprio museu, uma outra forma de garantir uma experiência rica é com audio-guias. Na entrada você pode alugar aparelhos Nintendo 3DS que o museu oferece  – tem a versão em português disponível – e ouvir as explicações dos curadores do museu em frente às obras que têm esse recurso disponível.

O aluguel custa 5 euros e é recomendável que você o reserve com antecedência.

Você também encontra aplicativos de terceiros com guias do Louvre para baixar em celulares, então opções não faltam.

Uma outra excelente forma de aproveitar mais o Louvre é contratando um tour, ou seja, seguir um guia que vai lhe explicando as obras. Tour em grupos são mais baratos, mas você vai seguir um itinerário fixo definido pelo guia. O que não é ruim, pode ser inclusive a melhor opção se você não faz ideia de como priorizar o que ver no Louvre.

E caso você tenha um objetivo bem específico, aí sim, o ideal é contratar um guia exclusivo para você.

Informações básicas sobre o Louvre

A entrada ao Louvre custa 17 euros e é grátis para menores de 18 anos. Mas está incluída no passe turístico de Paris, que é um pacote que você compra com entradas para várias atrações da cidade incluídas.

O museu oferece armários gratuitos para guardar pertences pessoais. Lembrando que você não pode entrar no museu com nada que seja maior que 55 x 35 x 20 cm.

Outros serviços gratuitos são: empréstimo de carrinho de bebê, bengalas e cadeiras de rodas; wi-fi e estações de recarga de bateria de celular.

Tem um estacionamento pago no Galerie du Carrousel, o shopping conectado ao Louvre, mas a melhor opção mesmo é chegar de transporte público. Há três estações de metrô próximas: Palais-Royal / Musée du Louvre (linhas 1 e 7) e Pyramides (linha 14) . Siga as setas marrons e você chegará no museu.

Meu agradecimento a você

Bom, toda viagem tem que chegar ao fim e vamos ter que nos despedir. Mas espero que você tenha aproveitado este nosso passeio pelo Louvre. Eu pelo menos, como sempre, adorei produzir o podcast, este post, fotografar, etc.

E se você gostou, posso lhe pedir um pequeno favor? Me ajudaria muito se você avaliasse o meu podcast na sua plataforma preferida. Isso ajuda mais pessoas a descobri-lo e quanto mais somos, mais fortes somos e mais podcast eu posso produzir.

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No mais, muito obrigada pela sua companhia e nos vemos no próximo post.


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