Uma viagem à Cozinha Polonesa

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Vamos combinar que todo mundo ama comer. Mas nem todo mundo ama experimentar novos sabores. Uma pena, porque cada nova experiência – não só culinária – é uma chance de encontrar um novo amor.

Pense na sua comida favorita. Agora, imagine se você nunca a tivesse experimentado! Então, neste momento pode haver novas comidas esperando que você se apaixone por elas. E minha missão aqui é lhe ajudar a encontra-las.

Mas não pense que sou altruísta e que faço isso só por você. Eu faço por mim também. Porque no fundo o que todos nós estamos fazendo – ou pelo menos deveríamos fazer – é estar sempre procurando novas formas de se apaixonar. Neste caso por comida.

E na minha busca por sabores diferentes, eu fui parar no bairro de Roncesvalles, em Toronto, no Canadá. Uma área da cidade conhecida por sua concentração de imigrantes poloneses.

Aliás, no ano passado eu já tinha ido lá e me encantado com o bairro:

Pena que na época da minha ida ainda lidávamos com a pandemia de COVID, então os restaurantes estavam fechados. Mas prometi que voltaria para experimentar uma autêntica comida polonesa.

E foi o que fiz. Visitei o restaurante Café Polonez, apontado por alguns sites de review o melhor restaurante polonês de Toronto.

Trata-se de um restaurante bem simples, daqueles de bairro mesmo. Nada chique, nada fora do essencial, mas logo de cara vi que eles tinham o mais importante: pessoas falando o que parece ser polonês. E se a gente encontra pessoas da nacionalidade do restaurante no restaurante, é porque a comida é autêntica!

Como é a comida polonesa

Uma das características marcantes da cozinha polonesa é que ela pode ser bem pesada. Tem bastante batata, carnes gordas e conservas, até mesmo por causa do clima da região.

Então em um restaurante polonês você encontrará muita carne curada, salsichas e linguiças diferentes. Além de beterraba e repolho. Aliás, falando em repolho, os poloneses consomem muito o sauerkraut, bem conhecido da cozinha alemã.

Após a Segunda Guerra Mundial a Polônia assim como outros países do leste europeu sofreu muito com a escassez de alimentos. E foi nesse período que teve que praticamente reinventar sua culinária dando origem a pratos que hoje podem ser considerados tradicionais.

Que tal começar com uma cerveja?

Para começar, pedimos uma cerveja. Polonesa é claro.

Apesar de a Polônia, assim como os demais países do leste europeu, serem relacionados com vodka no imaginário popular, a bebida alcóolica mais consumida no país é a cerveja.

Os poloneses produzem cerveja há vários séculos, mas podemos dizer que a fase profissional mesmo da produção começou no século XIX.

Logo após a segunda guerra mundial, durante o regime comunista, as cervejarias foram estatizadas, mas voltaram às mãos do capital privado assim que o bloco caiu.

Hoje, apesar de não ser conhecido como um grande produtor de cerveja, o país produz sim cervejas das quais se orgulha. Uma delas é a Warka, que escolhemos para experimentar. Aliás, lembra que eu falei que a produção profissional começou no século XIX? Pois é, esta cerveja, na verdade, é um pouquinho mais antiga que isso. 


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A Warka é produzida desde 1478. Estamos falando do século XV! Conta a história que ela era a cerveja servida em dias de festa para a corte polonesa da época. Hoje, ela continua sendo produzida na Polônia, mas pertence ao grupo holandês Heineken.

A versão que experimentamos foi a Warka Strong. Ela é feita com dois tipos de malte: o light Pilsner e um de torra escura, que faz com ela tenha a cor mais escura.

Achei o sabor bem forte, mas um forte agradável. Daquele que começa seco, mas fica um pouco mais suave ao final. Você a sente pesada na boca, mas não chega a ser cremosa.

Se é refeição polonesa, tem que ter sopa

Mas estávamos lá para comer, não é mesmo? Então, pedidos sopas de entrada, seguindo a tradição polonesa.

Uma das sopas mais conhecidas, não só muito consumida na Polônia, mas no Leste Europeu, é o borscht, feito à base de beterraba. Então, como você já deve estar imaginando, tem uma cor vermelha intensa.

E ela pode ser servida quente ou fria. No Café Polonez eles oferecem a versão fria e eu não sou muito fã de sopa fria. Então decidi experimentar uma outra que eles tinham que usava o caldo do borscht como base, mas vinha com dumplings de cogumelos. Essa sim, uma delícia.

É preciso falar da relação da culinária polonesa com a beterraba e outros tubérculos.

A beterraba, por exemplo, é muito consumida não só no borscht como também em saladas. Normalmente é ralada e cozida e temperada para ser servida fria.

Bem parecido com o uso que fazem do repolho. Aliás, a gente conhece o sauerkraut da culinária alemã, mas o poloneses também adoram. Repolho fermentado é aquele acompanhamento que você quase sempre verá em pratos poloneses.

Outros ingredientes muito presentes são batatas e cogumelos, que dispensam apresentação, mas tem um em particular que me deixou curiosa: o centeio.

Mais conhecido como um ingrediente de pães, o centeio é muito usado pelos poloneses, não só para fazer pão, mas também para ser utilizado em caldos de sopa.

E pude comprovar isso na segunda sopa que experimentei no restaurante. Na verdade, quem pediu a sopa foi meu marido, mas aproveitei para tirar uma casquinha… ou um caldinho.

Esse borscht branco também é um clássico polonês e, mais do que um prato, é praticamente uma aula de cultura polonesa.

Essa sopa é comumente consumida no domingo de Páscoa e é feita com os  ingredientes que as famílias levam em uma cesta à missa do Sábado anterior para serem benzidos pelo padre.

Cada ingrediente da cesta simboliza algo. Por exemplo, o pão representa o corpo de Cristo. O bacon, a misericórdia de Deus, os ovos a esperança… enfim, a lista é grande.


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Mas então o que representava a nossa sopa?… Ou melhor, a do meu marido?

Como eu falei, os ovos representam esperança. E a linguiça tem um significado bem interessante: simboliza as correntes de morte que Cristo quebrou ao ressuscitar.

E eu achando que estava comendo apenas uma sopa…

Hora dos pratos principais

Eu pedi um paprikash, que pelo nome você já deve imaginar que vem com páprica. É basicamente um ensopado bem cremoso com, sim, páprica, mas com sabor ainda mais rico.

Ao experimentar a primeira coisa que me veio na cabeça é que parece comida de casa.

O paprikash mais tradicional – ou famoso, vamos dizer assim – é feito com frango e é um dos pratos típicos da Hungria. Aliás, pesquisando pude comprovar que as cozinhas do leste europeu se embaralham, ou se confundem… enfim se mesclam bastante.

Por isso encontrei um prato num restaurante polonês com presença marcante de páprica, o tempero mais conhecido da cozinha húngara.

E por falar em cozinha húngara, o prato do meu marido – que veja só que surpresa, eu provei também – é também muito relacionado à Hungria: o goulash.

O goulash também é um ensopado bem cremoso. Aliás, o dois pratos se pareciam muito. Diria que a diferença ficou mais pelo sabor mais marcante da páprica no meu. Isso não quer dizer que o goulash não leve páprica no tempero.

E por falar nele, você acredita que há registros de preparo de goulash do século IX? Um prato que é feito há tanto tempo, não pode ser ruim, né? Só tem um detalhe: naquela época a páprica ainda não tinha chegado na Europa, então o goulash era um pouco diferente do que conhecemos hoje.

A carne temperada era colocada em uma espécie de bolsa feita com estômago de ovelha e depois cozida ao sol. Isso, nada de fogão.


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Claro que hoje em dia, o preparo de goulash é bem diferente. Aliás, varia bastante entre os países, sendo que na Polônia é comum ser servido com batata e não com o macarrão que vemos normalmente no goulash húngaro.

Sobremesa

A szarlotka é uma das sobremesas emblemáticas da Polônia e, apesar de ser uma torta de maçã, ela se difere da torta de maçã mais tradicional que vemos nas Américas.

Ela tem uma base de massa e é recheada com maçã, canela e cardamomo. E aqui vem uma diferença: apesar de você também encontrar versões dessa torta com uma camada de massa fechando – bem similar às tortas que conhecemos – essa camada pode ser substituída por merengue, que foi o caso dessa que experimentei.

Também costuma ser menos doce que uma torta de maçã americana.

O Cris pediu uma pavlova de sobremesa e acabamos nos surpreendendo porque não é muito parecida com a que vemos no Brasil. A versão brasileira se parece mais a um suspiro grande com frutas vermelhas por cima. A do Café Polonez era um bolo bem cremoso.

Por falar em pavlova… Apesar do nome russo, a pavlova foi criada na Austrália ou Nova Zelândia – há debates sobre o local exato – mas foi em homenagem a uma russa: a bailarina Anna Pavlova.

Durante minha pesquisa, não encontrei evidências de que ela seja uma sobremesa popular na Polônia ou outros países da região.

Um fato interessante é que pavlova se escrever com v, mas no cardápio do restaurante estava escrito com w. E ao pesquisar com w, descobri que existe uma cidade na Polônia com esse nome.

Então, talvez, o doce que comemos no Café Polonez tenha sido uma homenagem à cidade, inspirada no doce à base de merengue.

Se você souber mais sobre a pavlova, inclusive sobre sua popularidade na polônia, não deixe de me contar porque agora estou super curiosa. Me procura lá no Twitter como @jornalistalu.

Aliás, não deixa de me procurar lá se você, assim como eu, adora comer.

O que acho da cozinha polonesa

A cozinha polonesa apesar dos ingredientes limitados prova que pode ser rica em sabores quando temos criatividade para driblar as dificuldades.

E apesar de seus nomes serem quase impossíveis de serem pronunciados seus pratos podem agradar em cheio nós brasileiros que não dispensamos uma comida bem feita com sabor de casa.

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